14/12/2009

"A experiência directa é o subterfúgio, ou o esconderijo daqueles que são desprovidos de imaginação"
Bernardo Soares



                                         Foto: Dfly


Imaginação mistério de pés no chão.
Vontade completamente real, imaginada em momentos soltos.
Porquê afogar-me se posso sentar-me e imaginar o fundo do mar?
Vida paralela, só nossa, só minha, de cada um, que ninguém mais conhece.
Imagina mantendo-te vivo porque pode, a realidade, matar o teu mundo.
Inventa os pormenores que quiseres, com as cores e os cheiros que quiseres...
Já viveste? Recorda...

Imaginar é viver sem o peso de poder interferir na liberdade dos outros

Dfly

16/11/2009

"O êxito está em ter êxito e não em ter condições de êxito. Condições de palácio tem qualquer terra larga, mas onde estará o palácio se não o fizerem lá?"
Bernardo Soares

Reflexão...
A tentativa do querer...
A impossibilidade do poder...
Acreditar no impossível e sonhar alto demais,
valerá a pena?
A procura do saber se posso,
quando posso...
A atitude do tentar,
o conseguir.
Construir um palácio - SIM!
Primeiro o terreno,
o projecto,
o cálculo,
as pedras sobre pedras,
equilibradas, argamassadas, fortes...
A mão, a minha, a tua, a de todos,
a ajuda.
Está feito mas mesmo assim, nada acaba aí...

Dfly

02/11/2009

"Agir, eis a inteligência verdadeira."
Bernardo Soares

Agir é, sem dúvida, a maior liberdade que temos.
Ninguém nos tira a capacidade de agir perante a vida nem a liberdade de escolher como o fazer.
Ficar parado nunca!
Embora, por vezes, façamos asneiras, nunca é em vão. Cada erro cometido é uma lição.
Só seguimos em frente se dermos um passo.
Só conseguimos se tentarmos.
Só acertamos se soubermos errar.
Só aprendemos quando procuramos quem nos ensine. 

"Se nada acontecesse eu não crescia...
Se não sofresse eu nao sabia...
Se não chorasse eu nao sorria..."

Dfly

27/10/2009

Ser

"Serei o que quiser. Mas tenho que querer o que for."
Bernardo Soares

Todos somos tanta gente e tanta coisa.
Num corpo só!
Depende do dia.
Depende da hora.
Depende do tempo.
Depende do sitio.
Depende do que sinto.
Depende de quem e para quem.
Depende só de mim ou só de ti.
Posso ser eu contigo e ela com outra pessoa.
Posso ser o que quiser, como quiser, onde quiser, com quem quiser
até quando quiser...
Para sempre ou nunca mais...
Só eu, só em mim!!
Mas sempre eu,
a querer ser o que sou!

Dfly

25/10/2009

"Nada é, tudo se outra."
Fernando Pessoa



O que muda continua igual,
tudo muda...
O mesmo de sempre, os mesmos de sempre.
Esta, aquela e a outra...
A procura da mesma coisa que é outra coisa...
Nada!
É como o mar e a areia grossa
E a Terra do Nunca
Nada!
Tanta coisa...
Tudo ao mesmo tempo
O que era uma coisa agora é...
É!
Só é sem saber ser...
Novamente nada
e tudo ao mesmo tempo!!

Dfly

23/10/2009

Amar

"Amar é um sonho que chega para o pouco que se é."
Fernando Pessoa


Criança...
Dentro de mim aquela criança...
Sempre fui, talvez sempre serei...
Sonhos infantis e contos de fadas em livros de capa dura, na tv, no cinema...
Inocência subtil...
Mentira, tudo mentira!!
Sonhos que têm asas que não sabem voar, têm princesas sem castelos e principes que se tornam reis!
Não é fogo que arde sem se ver, não é um sonho que chega para o pouco que se é, não é a unica loucura de um sábio nem a unica sabedoria de um tolo...
Não sabia Camões, nem Pessoa, nem Shakespeare...nem eu!
Agora eu sei...afinal é só saber ser criança!
É aprender a andar de bicicleta, é ter medo do escuro, é dar as mãos, é chorar, é sorrir e rir só porque sim!
É fazer um drama por ouvir um não, é brincar, é correr, é ser o que quiser em qualquer lugar!
Sinto-me grande agora, quero voltar a ser grande agora, para poder voltar a ser criança!!

Dfly

Biografia


Para começar, apenas um pequeno enquadramento.


"Fernando Pessoa, um dos expoente máximos do modernismo no século XX, considerava-se a si mesmo um «nacionalista místico».

Nasceu Fernando António Nogueira Pessoa em Lisboa, no dia 13 de Junho de 1888, filho de Maria Madalena Pinheiro Nogueira e de Joaquim de Seabra Pessoa.


A juventude é passada em Lisboa, alegremente, até à morte do pai em 1893 e do irmão Jorge no ano seguinte. Estes acontecimentos, em conjunto com o facto de sua mãe ter conhecido o cônsul de Portugal em Durban, levam-no a viajar para a África do Sul. Aí vive entre 1896 e 1905. À vivência nesse país da Commonwealth pode atribuir-se uma influência decisiva ao nível cultural e intelectual, pondo-o em contacto com os grandes autores de língua inglesa.


O Regresso a Portugal, com 17 anos, é feito com o intuito de frequentar o curso de Letras. Viveu primeiro com uma tia, na rua de S. Bento e depois com a avó paterna, na Rua da Bela Vista à Lapa. Mas com o fracasso do curso (frequentou-o poucos meses), governa-se apenas com o seu grande conhecimento da língua inglesa, trabalhando com diversos escritórios em Lisboa em assuntos de correspondência comercial.


Ficou sobretudo conhecido como grande prosador do modernismo (ou futurismo) em Portugal. Expressando-se tanto com o seu próprio nome, como através dos seus heterónimos. Entre estes ficaram famosos três: Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis. Sendo que as suas participações literárias se espalhavam por inúmeras publicações, das quais se destacam: Athena, Presença, Orpheu, Centauro, Portugal Futurista, Contemporânea, Exílio, A Águia, Gládio. Estas colaborações eram tanto em prosa como em verso.


Teve uma paixão confessa - Ophélia Queirós - com a qual manteve uma relação muitas das vezes distante, se bem que intensa. Mas foi talvez Ophélia a única a conhecer-lhe o lado menos introspectivo e melancólico.


O seu percurso intelectual dificilmente se descreve em poucas linhas. É sobretudo o relato de uma grande viagem de descoberta, à procura de algo divino mas sempre desconhecido. Essa procura efectuou-a Pessoa com recurso a todas as armas - metafísicas, religiosas, racionalistas - mas sem ter chegado a uma conclusão definitiva, enfim exclamando que todos os caminhos são verdadeiros e que o que é preciso é navegar (no mundo das ideias).


Os últimos anos são vividos em angústia. Os seus projectos intelectuais não se realizam plenamente, nem sequer parcialmente. Talvez os seus objectivos fossem à partida demasiado elevados... Certo é que esta falta de resultados concretos o deita a um desespero cada vez mais profundo. Foi um profeta que esperava a realização da sua profecia, mas que morreu sem ver sequer o principio da sua realização.


Fernando Pessoa morre a 30 de Novembro de 1935, de uma grave crise hepática induzida por anos de consumo de álcool, no hospital de S. Luís. Uma pequena procissão funerária levou o corpo a enterrar no Cemitério dos Prazeres. Em 1988, por ocasião do centenário do seu nascimento, os seus restos mortais foram transladados para o Mosteiro dos Jerónimos em Belém. Em vida apenas publicou um livro em Português: o poema épico Mensagem, deixando um vasto espólio que ainda hoje não foi completamente analisado e publicado."






http://omj.no.sapo.pt/bio1.htm

21/10/2009

Apresentação

Fernando Pessoa, nome que, só por si, diz tanta coisa.
Diz tanto da Língua Portuguesa e do próprio Portugal,
Diz tanto da nossa gente,
diz tanto da nossa vida,
da nossa alma,
diz tanto de mim e de ti...

Para mim, o maior escritor Português!
Este blog vem então na sequência da minha grande paixão por este poeta.

"Poeta plural como o universo, que sentia com a imaginação. Prendeu a alma ao pensamento e escreveu a poesia dos lugares comuns, das mentes inquietas, do Portugal sonhando, do amor adiado. Poeta que ainda hoje respira nas ruas, porque os seus versos marcam os nossos infinitos."

O conceito é simples "Pessoa por outra Pessoa" e a outra Pessoa sou eu! Interpretarei as palavras deste Senhor, à minha maneira, tanto em palavras como em imagens, usando tanto o meu gosto pela escrita e pela Língua Portuguesa como pela fotografia. 
Dedico as palavras que vou escrever aqui a todos os amantes de Fernando Pessoa, a quem trouxe para a minha vida as suas palavras e a quem, hoje, as partilha comigo.
Só espero que gostem!! =)